Arquivar agosto 18, 2026

A Sabedoria do Salgueiro: raízes de amor, flexibilidade e inclusão na maternagem

O salgueiro é uma árvore que nos ensina sobre a força da flexibilidade.

Ao longo dos anos, esse livro permaneceu como uma companhia silenciosa, trazendo ensinamentos que atravessam diferentes áreas da minha vida. E, quando penso na maternagem, especialmente na relação com crianças pequenas, percebo como a metáfora do salgueiro nos oferece uma profunda reflexão.

Esse livro chegou até mim em 2005, durante uma etapa muito significativa da minha trajetória: minha formação em uma perspectiva holística na Universidade Internacional da Paz. Naquele período, eu buscava ampliar minha compreensão sobre o ser humano, sobre as relações, sobre a vida e sobre os caminhos de transformação interior.Tive a oportunidade de conhecer o autor e guardo comigo um exemplar autografado, que considero uma das minhas relíquias afetivas e formativas. Não apenas pelo objeto em si, mas por tudo o que ele representa: um momento da minha caminhada em que novos olhares começaram a se costurar dentro de mim.

Ele possui raízes profundas que o sustentam, mas seus galhos conseguem acompanhar o movimento do vento. Ele não enfrenta todas as tempestades permanecendo rígido; ele encontra uma forma de se adaptar sem perder sua essência.

E talvez essa seja uma das grandes aprendizagens para nós, mães e educadores: ter raízes firmes, mas braços flexíveis para acompanhar quem está diante de nós.

Na infância, especialmente entre os 2 e os 5 anos, a criança está construindo sua identidade, aprendendo a lidar com emoções, desenvolvendo autonomia, descobrindo limites e buscando compreender o mundo ao seu redor.

É uma fase cheia de descobertas, mas também de desafios. São momentos em que aparecem os choros intensos, as frustrações, os “nãos”, as mudanças de humor, as dificuldades de esperar, compartilhar ou lidar com aquilo que não acontece como a criança imaginou.

Muitas vezes, nós, adultos, olhamos para essas situações buscando corrigir rapidamente o comportamento. Queremos que a criança pare de chorar, aceite uma orientação, compreenda uma regra ou se comporte conforme esperamos.

Mas a sabedoria do salgueiro nos convida a olhar antes de agir. Nos convida a perguntar:

“O que essa criança está tentando comunicar?”

Porque uma criança pequena ainda está aprendendo a colocar em palavras aquilo que sente.

Antes de dizer “ela está fazendo birra”, podemos pensar:

“Será que ela está cansada?”
“Será que algo mudou e ela não conseguiu compreender?”
“Será que ela precisa de ajuda para organizar uma emoção que ainda não consegue nomear?”

Na perspectiva inclusiva, esse olhar se torna ainda mais necessário. Cada criança tem uma forma única de estar no mundo. Algumas crianças precisam de mais tempo para determinadas conquistas, algumas necessitam de mais previsibilidade, outras demonstram suas emoções de maneiras diferentes. Há crianças que precisam de adaptações, de outros caminhos, de outras linguagens para conseguir participar, aprender e se desenvolver.

Na perspectiva inclusiva, esse olhar se torna ainda mais necessário. Cada criança tem uma forma única de estar no mundo. Algumas crianças precisam de mais tempo para determinadas conquistas, algumas necessitam de mais previsibilidade, outras demonstram suas emoções de maneiras diferentes. Há crianças que precisam de adaptações, de outros caminhos, de outras linguagens para conseguir participar, aprender e se desenvolver.

Incluir é reconhecer que a diferença não é um problema a ser corrigido. A diferença é uma característica humana que precisa ser compreendida e acolhida.

Isso não significa deixar de ensinar, nem abrir mão dos limites.

Crianças precisam de limites porque os limites oferecem segurança. Mas esses limites podem ser construídos com respeito, vínculo e compreensão sobre quem é aquela criança.

O salgueiro nos ensina que flexibilidade não significa fragilidade.

Uma mãe flexível não é aquela que permite tudo. É aquela que consegue observar, refletir e encontrar caminhos mais adequados para aquela criança naquele momento. Às vezes, insistimos em uma única forma de ensinar, orientar ou conduzir, quando talvez a criança esteja nos mostrando que precisa de uma nova estratégia.

A pergunta deixa de ser:

“Por que meu filho não consegue fazer como as outras crianças?”

E passa a ser:

“O que meu filho precisa para avançar a partir de onde ele está?”

Essa mudança de olhar transforma a relação.

Saímos da comparação e entramos na compreensão. Saímos da cobrança e entramos na conexão.

Saímos da tentativa de moldar uma criança e começamos a acompanhar o processo de desenvolvimento dela. Mas existe outra aprendizagem importante nessa metáfora: para que o salgueiro permaneça forte, suas raízes também precisam ser cuidadas. E isso nos lembra das mães.

Muitas vezes, cuidamos tanto dos nossos filhos que esquecemos de cuidar de nós mesmas. Esquecemos que também sentimos medo, insegurança, cansaço, dúvidas e que também precisamos de acolhimento.

Uma mãe que busca apoio, que aprende, que revê suas escolhas e que reconhece seus limites não é uma mãe menos forte. Pelo contrário: demonstra consciência e amor.

A maternagem é uma construção diária. Não existe uma receita pronta, porque não existem crianças iguais, histórias iguais ou famílias iguais. Cada criança nos convida a aprender uma nova linguagem do amor.

O salgueiro não cresce puxando seus próprios galhos para alcançar mais rápido o céu. Ele cresce porque encontra condições adequadas para florescer: raízes, cuidado, tempo e espaço.

Assim também acontece com nossas crianças. Nosso papel não é apressar o crescimento, comparar trajetórias ou tentar transformar nossos filhos em uma expectativa idealizada. Nosso papel é oferecer presença, segurança, afeto e oportunidades para que eles possam se desenvolver sendo quem são.

Que possamos aprender com o salgueiro:

Ter raízes profundas no amor.

Ter flexibilidade diante dos desafios.

Ter sensibilidade para perceber as necessidades de cada criança.

E ter coragem para construir uma maternagem mais consciente, respeitosa e inclusiva.

Porque educar uma criança é também permitir que ela nos transforme.

E, muitas vezes, são os nossos filhos que nos ensinam a criar novos galhos, novas formas de amar e novos caminhos para florescer.

“Você consegue imaginar uma Escola de Pais em que rodas de conversa acolham essas e tantas outras reflexões, fortalecendo vínculos, ampliando olhares e nos ajudando a maternar com mais amor, afeto e segurança?”

Cuidar de quem educa também é cuidar da infância: conheça a Escola de Pais com Graça Santos

Mãe, você não precisa ter todas as respostas para cuidar bem do desenvolvimento do seu filho. Eu sei que acompanhar o desenvolvimento de uma criança pode trazer muitas alegrias, mas também dúvidas, inseguranças e comparações. Em alguns dias, você celebra uma palavra nova, uma brincadeira diferente ou uma pequena conquista. Em outros, pode se perguntar: “Será que ele já deveria estar fazendo isso?” “Por que outras crianças da mesma idade já conseguem?” “Estou estimulando o suficiente?” “Será que preciso procurar ajuda?” Antes de qualquer coisa, quero dizer: você não precisa saber tudo nem encontrar todas as respostas sozinha.

Acompanhar o desenvolvimento infantil não significa vigiar cada comportamento, comparar a criança com outras ou exigir que todas aprendam no mesmo tempo. Significa estar presente, observar com atenção, acolher com sensibilidade e procurar orientação quando alguma situação continuar preocupando você.

O desenvolvimento acontece nas pequenas coisas

O desenvolvimento infantil acontece todos os dias. Ele pode ser percebido no sorriso que responde ao seu olhar, no gesto de apontar, nos sons, nas primeiras palavras, na tentativa de caminhar, na curiosidade, na brincadeira e na forma como a criança começa a demonstrar seus sentimentos.

Nem sempre essas conquistas acontecem de maneira rápida ou organizada. Muitas vezes, a criança avança em uma área enquanto ainda precisa de apoio em outra. Por isso, olhar para o desenvolvimento exige atenção, paciência e conhecimento.

O que são os marcos do desenvolvimento?

Os marcos do desenvolvimento são habilidades e comportamentos que a maioria das crianças costuma apresentar em determinadas fases da vida. Eles ajudam a observar como a criança está se desenvolvendo em diferentes áreas.

Desenvolvimento social e emocional

É a forma como a criança demonstra afeto, reage às pessoas, participa das brincadeiras, expressa sentimentos e começa a perceber as emoções dos outros.

Linguagem e comunicação

É a maneira como ela olha, aponta, produz sons, compreende palavras, fala, faz perguntas e participa das conversas.

Aprendizagem e pensamento

É como a criança observa, imita, explora, brinca de faz de conta, demonstra curiosidade e tenta resolver pequenos desafios.

Movimento e desenvolvimento físico

É como ela segura objetos, sustenta o corpo, senta, anda, corre, pula e conquista mais autonomia nas atividades do cotidiano. Essas referências podem ajudar você a perceber avanços e possíveis necessidades. Mas elas não devem ser utilizadas para diagnosticar, comparar ou rotular uma criança. Uma lista de habilidades nunca substitui uma avaliação profissional.

Cada criança tem seu ritmo, mas precisa ser acompanhada

Você provavelmente já ouviu a frase: “Cada criança tem seu tempo.”Essa frase é verdadeira, mas precisa ser compreendida com responsabilidade. Respeitar o ritmo da criança não significa deixar de observar. Também não significa esperar por muito tempo quando existem sinais que preocupam você, a escola ou outros adultos que convivem com ela.

Nos primeiros meses, o bebê começa a olhar para rostos, sorrir, reagir aos sons e sustentar melhor o próprio corpo. Com o passar do tempo, pode começar a reconhecer pessoas próximas, rir, produzir sons, alcançar brinquedos e explorar objetos. Mais adiante, passa a responder ao próprio nome, demonstrar diferentes emoções, procurar objetos escondidos, sentar, ficar em pé e caminhar.

Depois, surgem novas palavras, imitações, rabiscos, pequenas frases, brincadeiras de faz de conta e tentativas de realizar algumas tarefas com mais autonomia. Por volta dos cinco anos, muitas crianças já conseguem contar pequenas histórias, manter conversas, participar de jogos com regras, esperar sua vez, reconhecer algumas letras e números e realizar movimentos com maior equilíbrio. Esses exemplos não devem se transformar em uma lista de cobranças.

Eles servem para ajudar você a conhecer melhor o percurso da infância e perceber quando a criança precisa de mais oportunidades, estímulos, acompanhamento ou avaliação especializada.

A criança se desenvolve na relação com você

O desenvolvimento não acontece apenas porque a criança está crescendo. Ela aprende nas experiências que vive e, principalmente, nas relações que constrói com os adultos e com outras crianças.

Você não precisa comprar brinquedos caros ou criar atividades complicadas. Muitas ações simples do cotidiano fazem uma grande diferença:

  • conversar olhando para a criança;
  • responder aos sons, gestos e perguntas;
  • brincar junto;
  • ler e contar histórias;
  • cantar;
  • nomear objetos, ações e sentimentos;
  • permitir pequenas escolhas;
  • incentivar a autonomia;
  • valorizar as tentativas, e não apenas os acertos;
  • organizar rotinas de alimentação, sono e cuidado;
  • oferecer ambientes seguros para a exploração;
  • reduzir as telas e ampliar as interações reais.

Quando a criança é acolhida, ouvida e respondida com atenção, sente-se mais segura para explorar, comunicar-se, aprender e se relacionar.

O comportamento também é uma forma de comunicação

Nem sempre uma criança pequena consegue explicar o que está sentindo. Ela ainda não sabe dizer com clareza: “Estou cansada.”, “Estou com medo.”, “Não entendi o que você quer.”, “Essa mudança está sendo difícil para mim.”, “Eu preciso da sua atenção.”

Muitas vezes, essas necessidades aparecem por meio do choro, da agitação, da recusa, do silêncio, da irritação ou de comportamentos que desafiam os adultos.

Quando isso acontece, é comum perguntar: “Como faço para ele parar?”

Mas talvez seja importante acrescentar outra pergunta: O que esse comportamento está tentando me comunicar?

Compreender o comportamento não significa permitir tudo. A criança precisa de limites, referências e orientação. Mas o limite pode ser apresentado com respeito, clareza e firmeza, sem humilhação, medo ou rompimento do vínculo.

Comparar não ajuda. Observar ajuda.

Eu sei que é difícil não comparar. Você encontra outras mães, observa crianças da mesma idade e escuta comentários como: “Meu filho falou muito cedo.”, “A criança da turma já faz isso sozinha.” e “Na família, todos aprenderam rapidamente.”

Essas comparações podem gerar culpa, ansiedade e a sensação de que você ou seu filho estão fazendo algo errado.

Mas cada criança possui uma história, um contexto, uma personalidade e necessidades próprias.

Em vez de perguntar: “Por que meu filho não é igual às outras crianças?”

Experimente perguntar: “O que meu filho já conquistou e em que aspecto ainda precisa de apoio?”

Essa mudança de pergunta ajuda você a olhar para a criança que está diante de você — e não para uma criança idealizada.

Quando é importante procurar orientação?

Procure conversar com o pediatra, com a escola ou com outro profissional quando a criança:

  • não apresenta habilidades esperadas para sua faixa etária;
  • perde uma habilidade que já havia conquistado;
  • deixa de responder às pessoas, aos sons ou às tentativas de interação;
  • apresenta dificuldades persistentes de movimento ou comunicação;
  • demonstra mudanças que preocupam você ou os educadores;
  • encontra dificuldades que interferem em sua rotina e convivência;
  • desperta dúvidas frequentes sobre como apoiar seu desenvolvimento.

Buscar orientação não significa dizer que existe um diagnóstico. Também não significa que você falhou como mãe. Buscar ajuda é uma maneira responsável de cuidar. Quando uma necessidade é compreendida mais cedo, aumentam as possibilidades de oferecer o apoio adequado.

Você também precisa ser acolhida

Muitas mães procuram ajuda querendo saber como mudar o comportamento dos filhos. Mas, durante a conversa, percebem que também estão cansadas, sobrecarregadas, inseguras ou repetindo formas de educar que viveram na própria infância. O tom de voz, a pressa, as expectativas, o medo de errar e o cansaço influenciam a maneira como você reage à criança. Isso não faz de você uma mãe ruim. Significa apenas que quem cuida também precisa de escuta, orientação e apoio.

Algumas perguntas podem ajudar:

  • Como estou me sentindo antes de responder ao meu filho?
  • Estou orientando ou apenas tentando controlar?
  • Minha fala está adequada à idade da criança?
  • Estou esperando algo que ela ainda não consegue realizar?
  • Preciso me acalmar antes de conversar?
  • Existe alguma experiência da minha infância influenciando minha reação?

Educar também é um processo de aprendizagem para os adultos.

Não existe mãe perfeita

Não existe família que acerte o tempo todo. Existem famílias que aprendem, perguntam, reconhecem seus limites, reparam os erros e constroem novas possibilidades. Você pode errar e depois conversar. Pode perder a paciência e procurar reparar. Pode perceber que uma estratégia não funcionou e tentar de outra maneira.

Educar não é ter controle absoluto sobre a criança. É construir uma relação em que existam afeto, orientação, limites, diálogo e segurança.

Você não precisa fazer esse caminho sozinha

A família conhece a história, a rotina, os hábitos e as formas de expressão da criança. A escola observa como ela brinca, aprende e se relaciona com outras crianças. Os profissionais da saúde podem avaliar o desenvolvimento e orientar os apoios necessários. Quando família, escola e profissionais conversam e compartilham suas observações, a criança recebe um cuidado mais completo.

Por isso, meu convite para você, mãe, é simples:

Observe sem comparar. Acolha sem julgar. Oriente sem humilhar. Coloque limites sem romper o vínculo. E procure ajuda sem medo.

Cuidar do desenvolvimento infantil é construir, todos os dias, condições para que a criança possa crescer, aprender, comunicar-se e revelar suas possibilidades. E cuidar de quem educa também é uma forma de cuidar da infância.


Para conhecer mais

A cartilha “Aprenda os sinais. Aja cedo — Cartilha de Desenvolvimento: 2 meses a 5 anos” apresenta os principais marcos do desenvolvimento infantil, sugestões de atividades e orientações para famílias e profissionais.

Acesse e compartihe gracasantos.com.br/escola-de-pais e conheça um espaço de acolhimento, orientação e aprendizagem para quem deseja educar com mais consciência, afeto e segurança.


Fale com Graça Santos.