Ontem fiquei intrigada e ao mesmo tempo feliz, pois não podemos perder as esperanças e tão pouco julgar analisando um contexto de um só lado. Confesso há tempos estou preocupada com a base familiar e educacional das nossas crianças e adolescentes.

Eu e meu companheiro chegamos ao pesqueiro em um bairro aqui perto para almoçarmos como algumas vezes fazemos. O lugar é simples e fascinante. Em meio aos montes verdes, quatro lindos lagos rodeados de patos, galinhas com seus pintinhos, gansos, marrecos, vacas, cavalos e tantos outros animais em volta da mata.

Ao finalizarmos as refeições, apareceu um garoto com idade entre 10 e 12 anos no máximo, com uma bolsa térmica cheia de gelinho, geladinho ou sacolé. Normalmente eu não compro, mas ontem foi diferente, pensei caramba esse menino subindo e descendo essas ladeiras nesse sol quente?

Deveria estar precisando muito, o ajudarei. E enquanto ele separava o gelinho de limão e abacaxi nós íamos conversando. Perguntei, você mora por aqui? Imaginando que o jovem morava no vilarejo que tínhamos passado para chegar até ali e ele respondeu moro. E assim continuei, você vendeu muito hoje e o menino disse que tinha vendido algumas unidades. Eu imaginei ele ali brincando e pescando com os meninos da sua idade e idealizei como seria a sua família humilde e se teria ou não irmãos…

Eu meio desconfiada sobre o gosto daqueles gelinhos, afinal custava somente R$ 0,50 realizei o pagamento e agradeci. Ele disse tchau, o meu  avó é dono daqui, por isso moro aqui perto e foi descendo a ladeira com os seus sacolés…

Fiquei com a boca aberta, pensando sobre os meus “pré-conceitos”, sobre as quebras dos paradigmas, sobre a importância do respeito, da base familiar, do espírito empreededor, do aprendizado baseado em projetos, em problemas, aproveitamento dos recursos e do empreender na escola.

O menino poderia ser pobre, mas não era, poderia ser um jovem mimado e acomodado por ser herdeiro daquele grande empreendimento, porém não era, precisaria estar com aquela bermuda velha e camiseta, mas estava. Poderia muitas coisas naquela momento, contudo estava ali empreendendo. E o gelinho era tão gostoso que depois ainda pedimos mais 4 para levar.

Fiquei admirando o menino… E a nossa melhor pescaria naquela tarde foi a descoberta e a compra do gelinho dele. É bem provável que um dia ele seja um empresário bem sucedido. Eu sou a Zezé, mas poderia ser o João, a Carla, a Paula, o Anderson, a Rafaela, o Lino e ou a Da Fé…

Abraços e venham nos conhecer!

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