Conhecendo mais sobre a mudança de comportamento que cada dia me estristece mais…Me procuro… Por instantes… Parece que me acho, mas logo no minuto seguinte, estou esgotada, com um nó na garganta e um medo tenebroso de me perder completamente. Esquecida…E esquecendo facilmente das coisas….Perdendo chave… Nas consultas psiquiátricas…Na sala de espera…Tenho medo do que vejo nos pacientes que entram antes de mim…Tenho medo, pânico… Um desespero de acabar minha história, embora sentindo que tenho muito a doar, ensinar, transformar… Mas não estou conseguindo ainda sair do labirinto… Penso nas leituras que fiz… Alegoria da Caverna… Platão? Me ordene! Quero ser obediente…E sair em disparada, mas ainda não consigo…Choro sem saber porque…Às vezes sorrio de um jeito diferente e incoerente para o momento…Que horroor! O que me transformei? Hoje, acordei pensando no para quê me envolvi tanto no trabalho…Com o trabalho…Desde muito menina encarava o trabalho como religião…Mamãe dizia: – Escreveu não leu o pau comeu….E quando chegar, quero encontrar pronto….Preciso me libertar deste passado…Que me conduziu, mas que agora me adoece. Que erro! Me aborreço…Deixei de lado muitas vezes minha filha…minha FLOR RARA, meu marido – EX , meu eu! Quem sou eu agora? Graça sem graça…Um absurdo…O absurdo de ser Graça sem graça. Me disseram que preciso ter Fé. Como se faz para ter Fé? Estou buscando mais entender a espiritualidade…Não sei ficar seguindo o que o Padre diz…São decorebas…Não sou boa em decorar…Sinto medo, muito medo…Não posso dirigir…Nem sempre tenho alguém para me acompanhar…Muitos médicos…Colesterol acima… Elevadíssimo… Labirintite… Coluna… Nossa! Aos 46 anos, me sinto um bom livro pouco utilizado... Uma árvore frondosa, com frutos caídos no chão. Socorro! É um grito quase surdo… Não me sinto escutada… Quem deverá me escutar? Eu, apenas eu? O que sinto não é visível…Não é uma ferida aberta onde todos olham… Dói muito! Busco o brilho no meu olhar…Quando eu o encontar…O mundo saberá. Quero mais graça em minha vida. Quero a graça perdida, escondida. Quero eu de volta.

Autoria:
Eu, depois de 31 anos de trabalho na educação… Dentre eles 24 anos de educação pública…de licença médica pela primeira vez, desde a 2ª quinzena de junho de 2010, usando medicamentos controlados para acalmar a ansiedade e dormir… Organizar as ideias…Na primeira consulta…Após o meu relato…Ouvi: – Como você deixou chegar neste ponto? Você esgotou todos os seus recursos… Esticou o elástico até arrebentar…Preciso lhe dizer que VOCÊ ESTÁ NO FUNDO DO POÇO. Nossa…Mortifiquei. E eu, uma leitora atenta de tudo que remeta a Resiliência. Estou aqui… Registrando um pequeno desabafo…Agora…De madrugada em um bom momento…Sem conseguir dormir, mas escrevendo…Tem muito mais…
O que fazer? Aceitar…E buscar a Serenidade.

Síndrome de Burnout

A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional).

O termo Burnout é uma composição de burn=queima e out=exterior, sugerindo assim que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço.

Essa síndrome se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm uma relação constante e direta com outras pessoas, principalmente quando esta atividade é considerada de ajuda (médicos, enfermeiros, professores).

Outros autores, entretanto, julgam a Síndrome de Burnout algo diferente do estresse genérico. Para nós, de modo geral, vamos considerar esse quadro de apatia extrema e desinteresse, não como sinônimo de algum tipo de estresse, mas como uma de suas conseqüências bastante sérias.

De fato, esta síndrome foi observada, originalmente, em profissões predominantemente relacionadas a um contacto interpessoal mais exigente, tais como médicos, psicanalistas, carcereiros, assistentes sociais, comerciários, professores, atendentes públicos, enfermeiros, funcionários de departamento pessoal, telemarketing e bombeiros. Hoje, entretanto, as observações já se estendem a todos profissionais que interagem de forma ativa com pessoas, que cuidam e/ou solucionam problemas de outras pessoas, que obedecem técnicas e métodos mais exigentes, fazendo parte de organizações de trabalho submetidas à avaliações.

Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto, excessivo e estressante com o trabalho, essa doença faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer inútil.

Entre os fatores aparentemente associados ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout está a pouca autonomia no desempenho profissional, problemas de relacionamento com as chefias, problemas de relacionamento com colegas ou clientes, conflito entre trabalho e família, sentimento de desqualificação e falta de cooperação da equipe.

Os autores que defendem a Síndrome de Burnout como sendo diferente do estresse, alegam que esta doença envolve atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, clientes, organização e trabalho, enquanto o estresse apareceria mais como um esgotamento pessoal com interferência na vida do sujeito e não necessariamente na sua relação com o trabalho. Entretanto, pessoalmente, julgamos que essa Síndrome de Burnout seria a conseqüência mais depressiva do estresse desencadeado pelo trabalho.

Os sintomas básicos dessa síndrome seriam, inicialmente, uma exaustão emocional onde a pessoa sente que não pode mais dar nada de si mesma. Em seguida desenvolve sentimentos e atitudes muito negativas, como por exemplo, um certo cinismo na relação com as pessoas do seu trabalho e aparente insensibilidade afetiva.

Finalmente o paciente manifesta sentimentos de falta de realização pessoal no trabalho, afetando sobremaneira a eficiência e habilidade para realização de tarefas e de adequar-se à organização.

Esta síndrome é o resultado do estresse emocional incrementado na interação com outras pessoas. Algo diferente do estresse genérico, a Síndrome de Burnout geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus principais indicadores são: cansaço emocional, despersonalização e falta de realização pessoal.

Quadro Clínico
O quadro clínico da Síndrome de Burnout costuma obedecer a seguinte sintomatologia:

1. Esgotamento emocional, com diminuição e perda de recursos emocionais
2. Despersonalização ou desumanização, que consiste no desenvolvimento de atitudes negativas, de insensibilidade ou de cinismo para com outras pessoas no trabalho ou no serviço prestado.
3. Sintomas físicos de estresse, tais como cansaço e mal estar geral.
4. Manifestações emocionais do tipo: falta de realização pessoal, tendências a avaliar o próprio trabalho de forma negativa, vivências de insuficiência profissional, sentimentos de vazio, esgotamento, fracasso, impotência, baixa autoestima.
5. É freqüente irritabilidade, inquietude, dificuldade para a concentração, baixa tolerância à frustração, comportamento paranóides e/ou agressivos para com os clientes, companheiros e para com a própria família.
6. Manifestações físicas: Como qualquer tipo de estresse, a Síndrome de Burnout pode resultar em Transtornos Psicossomáticos. Estes, normalmente se referem à fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas com o sono, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquiarritmias, e outras desordens gastrintestinais, perda de peso, dores musculares e de coluna, alergias, etc.
7. Manifestações comportamentais: probabilidade de condutas aditivas e evitativas, consumo aumentado de café, álcool, fármacos e drogas ilegais, absenteísmo, baixo rendimento pessoal, distanciamento afetivo dos clientes e companheiros como forma de proteção do ego, aborrecimento constante, atitude cínica, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração, sentimentos depressivos, freqüentes conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e dentro da própria família.

Apesar de não ser possível estabelecer uma fórmula mágica ou regra para análise do estresse no trabalho devido a grande diversidade entre as empresas, vejamos agora algumas situações mais comumente relacionadas ao estresse no trabalho, de um modo geral.

Considera-se a Síndrome Burnout como provável responsável pela desmotivação que sofrem os profissionais da saúde atualmente. Isso sugere a possibilidade de que esta síndrome esteja implicada nas elevadas taxas de absenteísmo ocupacional que apresentam esses profissionais.

Segundo pesquisas (Martínez), a epidemiologia da Síndrome de Burnout tem aspectos bastante curiosos. Seu detalhado trabalho mostrou que os primeiros anos da carreira profissional profissional seriam mais vulneráveis ao desenvolvimento da síndrome.

Há uma preponderância do transtorno nas mulheres, possivelmente devido à dupla carga de trabalho que concilia a prática profissional e a tarefa familiar. Com relação ao estado civil, tem-se associado a síndrome mais com as pessoas sem parceiro estável.

Referência

Ballone GJ Síndrome de Burnout – in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005

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Clique aqui e leia o artigo A SÍNDROME DE BURNOUT E O TRABALHO DOCENTE
Mary Sandra Carlotto*



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