Prêmio Instituto Unibanco 2007 incentiva melhoria no Ensino Médio Público
Participei com esta pesquisa:O GESTOR: UM INDICADOR DE QUALIDADE NO ENSINO MÉDIO

APRESENTAÇÃO

As mudanças contínuas no cenário econômico mundial, os avanços da ciência e da tecnologia, a evolução dos conceitos e paradigmas da gestão e os impactos causados pelas novas tecnologias da informação e comunicação implicam na necessidade do Estado repensar seus modelos de gestão e de relacionamento com a sociedade, buscando estratégias que possibilitem maior autonomia, flexibilidade e eficiência e o apoio a um maior controle desse Estado pela sociedade. Por outro lado, a natureza dos problemas enfrentados pela educação pública e a necessidade de transformações têm demandado, de forma cada vez mais urgente, a adoção de estratégias de gestão que contribuam efetivamente para o fortalecimento e aprimoramento das instituições e sistemas de ensino.

A gestão educacional utiliza um conjunto de conceitos, técnicas e metodologias que orientam as atividades de planejamento, implementação, acompanhamento, avaliação e controle da prática educativa.
Na concepção da gestão educacional pública brasileira, a autonomia e a gestão democrática são referências fundamentais. A autonomia corresponde ao processo de descentralização de atribuições e responsabilidades dos entes federados, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, criando condições ou perspectivas para a ampliação ou a instauração de espaços e processos de participação social e compartilhamentos de decisões. A gestão democrática é a outra marca importante dos processos de gestão e deve permear os micro e macroprocessos de gestão dos sistemas educacionais. Entretanto, a democratização deve ser plena, respeitando os alunos e a competência dos professores. É importante ressaltar que a democratização é um meio para que o aluno tenha melhor educação, melhor aprendizagem e desenvolva o sentido de cidadania responsável.
Nos últimos anos, as estratégias de gestão pública e, em especial, as de gestão educacional têm experimentado avanços qualitativos importantes, que as colocam entre os fatores decisivos para o alcance dos objetivos e metas das políticas públicas sociais, das instituições, e as transformam, cada vez mais, em tarefas especializadas e complexas. Nesse contexto, a gestão educacional cuida de questões estratégicas e de questões operacionais, delineando o modus operandi que os sistemas e redes de ensino e, em especial, as unidades escolares devem adotar para o enfrentamento de seus desafios e a consecução das políticas educacionais.
Visando, pois, a contribuir para aprimorar a gestão educacional dos sistemas estaduais de ensino médio, esta pesquisa vem propor a criação e implementação de um Projeto Piloto com ações de apoio ao desenvolvimento de políticas de Educação Básica (exclusivamente para gestores do Ensino Médio), com o objetivo de identificar, avaliar, disseminar e apoiar experiências inovadoras fundamentadas pelos Critérios de Excelência publicados pela Fundação Nacional da Qualidade.

OBJETIVO

Propor a criação e implementação de um Projeto Piloto com ações de apoio ao desenvolvimento de políticas de Educação Básica (exclusivamente para gestores do Ensino Médio), com o objetivo de identificar, avaliar, disseminar e apoiar experiências inovadoras fundamentadas pelos Critérios de Excelência publicados pela Fundação Nacional da Qualidade, ajustando a “expertise” do pensamento empresarial e do estado da arte da tecnologia ligada à gestão de empresas, estratégia competitiva e perenidade das organizações à realidade das instituições de ensino no sentido de auxiliá-las na busca de caminhos alternativos para o melhor desenvolvimento das atividades profissionais envolvidas no processo de evolução do Ensino Médio, bem como apontar sugestões para a melhoria da qualidade social da aprendizagem dos alunos.


DESENVOLVIMENTO
No Boletim ANPAE/RJ, Ano I, Número 1, publicado em maio de 2005, foram divulgadas experiências germinadas no campo da política educacional voltada especificamente para a gestão da escola, no artigo COMPETÊNCIAS E HABILIDADES PARA UM GESTOR EDUCACIONAL.
Comparando o gestor como um maestro, (Santos, 2005) enfatiza que o gestor de instituição pública concilia o trabalho pedagógico com o administrativo. Dotado de grande espírito empreendedor e constante atitude inovadora, o maestro de uma instituição pública serve ao público, mas a platéia do “regente-diretor” não se restringe a abater palmas ou vaiar. Ela é formada por uma comunidade educacional, que espera não somente a execução das atribuições altamente complexas do cargo, como também, o alcance de representatividade social de homem-servidor-público. O gestor de escola pública – faz a diferença.
Para o século XXI, não há receitas milagrosas na singularidade específica, além dos fazeres cotidianos de um gestor de escola para uma administração eficaz, ele precisa conhecer, refletir e desenvolver fatores que possa gerenciar a sua própria sobrevivência através do marketing pessoal, a rapidez de raciocínio e decisão, a capacidade de observação, liderança, percepção, facilidade de relacionamento, iniciativa, criatividade, facilidade de comunicação verbal, capacidade de persuasão, equilíbrio emocional, determinação, autoconhecimento, multifuncionalidade, agilidade e flexibilidade, mostrando-se sempre um educador capaz de resolver problemas, gerenciando o risco e trabalhar em equipe.
Anísio Teixeira (1961), salienta que a função do administrador depende muito da pessoa que a exerce, depende de quem ele é, do que tenha aprendido e de uma longa experiência. Tudo isto é que faz o administrador saber-ser. E, é comum, entre nós, pensar que aquilo que não se aprende senão em muitos anos, não se precisa aprender. Daí, não se precisar preparar o administrador. Diz ainda que, quanto mais imperfeito for o magistério, mais se precisa melhorar as condições da Administração Escolar.
Débora Dias Gomes, em seu livro MBA Educação – Escola que aprende (2003), realça a necessidade do gestor/diretor/administrador fazer da escola um laboratório de aprendizado em ações estratégicas, implementando princípios e métodos de qualidade, observando e pesquisando as melhores práticas gerenciais que são utilizadas no mundo empresarial. A escola precisa aprender a se empresariar, consolidando-se como um estabelecimento de ensino por intermédio de um processo de organização gerencial para ter empresabilidade e obter melhores resultados.
Segundo Lia Schoelze, no artigo O Diretor faz a diferença! (Boletim Informativo da ANPAE nº. 1/2004), o gestor escolar deve estabelecer uma relação dialógica com todos os envolvidos na educação. Nessa expectativa, o modelo escola deixa de ser estático para assumir um paradigma dinâmico, descentralizado e democrático. A experiência vivida nesse tipo de escola pode permitir ao aluno passar a ser um cidadão participativo da sociedade, uma vez que o conhecimento construído na troca e na participação constitui-se em grande valor estratégico para desenvolvimento da sociedade e condição importante na qualidade de vida das pessoas. Um diretor comprometido, parceiro na construção das políticas da sua Secretaria e do MEC, poderá ajudar a escola a cumprir sua vocação.
Conclui-se que a principal competência e habilidade de um gestor/diretor/administrador seria encontrada quando fosse respondida de forma holística a seguinte pergunta: QUEM SOU EU PARA GERENCIAR UMA ESCOLA?

CONCLUSÕES

Nunca se falou tanto na necessidade de uma escola plural, interdisciplinar, multicultural, holística. Uma escola que cuide da formação de um “ser integral”. E, se até a alguns anos, essa necessidade era apontada pelos estudiosos da Educação numa concepção totalizante do processo educacional, baseada na não-fragmentação do conhecimento e no entendimento de que os seres humanos não são formados apenas de cognição, hoje é também uma exigência do mercado de trabalho. Algumas empresas, atualmente, no seu processo seletivo, pretendem averiguar, inclusive, a capacidade de sustentação emocional dos candidatos, além do seu potencial para trabalhar em equipe, dentre outras atitudes. Mas, paradoxalmente, e por mais que estejamos vivenciando essa realidade, a escola – filha direta e dileta da tradição cartesiana – só se preocupa com a quantidade de informações que consegue passar (passar sim, e não construir). Ela continua se restringindo apenas à transmissão do patrimônio universalmente constituído, ignorando a reflexão sobre o contexto em que vivemos e pouco se importando com o potencial de modificação da realidade.
Para esta nova escola exige-se um gestor que além de amar a poesia , tenha competência e habilidade para facilitar o processo de mudança implementando ações simbólicas e coerentes alinhadas com a mudança requerida. A implementação de uma cultura de excelência, com novos padrões de comportamento, novos desafios ou adequação nos existentes, novas estratégias, enfim novas diretrizes freqüentemente, requer a mudança de algumas ou de muitas atitudes e paradigmas, um deles, a começar a adoção de um novo vocabulário gerencial, com palavras ou expressões que podem definir o perfil deste novo gestor:
· Gestão estratégica
· Qualidade em educação
· Tempos de mudanças
· Responsabilidade social
· Empoderamento
· Tecnologia e comunicação
· Marketing educacional
· Endomarketing
· Indicadores da qualidade
· Conselho escolar
· Diagnóstico organizacional
· Ferramenta PDCA
· Clima organizacional
· Práticas de excelência em gestão de pessoas
· Capital intelectual
· Educação corporativa
· Gestão de mudanças
· Missão
· Visão de futuro
· Cultura corporativa
· Poder compartilhado
· Realinhamento cultural
· Liderança
Esta nova este novo gestor deverá caminhar em direção ao futuro, com clareza do que precisa aprender e ensinar com competências e habilidades adequados ao modelo de gestão atento ao mundo global.
A cultura desejável é que o gestor seja “aprendiz de sábio” (Gomes,2003), ou seja, aprender como modo de ser, aprendiz de si mesmo, da instituição em que atua, da comunidade, da sociedade, do mundo e dos conhecimentos científicos específicos para cada processo para que possa executar ações que favoreçam os seguintes objetivos:
· Identificar qualidades de liderança que transcendam as limitações impostas pelo ambiente, pelos recursos materiais, físicos e financeiros, por estilos de ensino e por políticas educacionais;
· Estabelecer um ethos forte baseado em expectativas elevadas e a qualidade da liderança;
· Estabelecer parcerias com o setor privado não apenas pelos recursos oferecidos, mas, sobretudo pelo estimulante contato e interação com as pessoas e o capital intelectual das empresas;
· Oferecer referências positivas para outras instituições de ensino;
· Ampliar conceitos de liderança eficiente, dinâmicas de grupo, estilos de liderança, tipos de comportamento, soluções de conflitos e expressão de sentimentos, tomada de decisões, interação com a equipe;
· Ampliar os conceitos de liderança eficaz que se concentra no líder como pessoa, questões da mudança e seus desafios, estresse o ambiente de trabalho, boa administração do tempo, delegação de responsabilidades, estabelecimento de metas e atitudes;
· Pesquisar a dinâmica institucional descrevendo sobre a origem da liderança e seu funcionamento nas organizações, a dimensão moral da liderança e seus estilos.
· Disseminar os fundamentos da excelência em gestão da Fundação Nacional da Qualidade, debatendo o conhecimento sobre excelência em gestão.