As nossas vidas, as nossas culturas, são compostas por muitas histórias sobrepostas. A romancista Chimamanda Adichie conta a história de como descobriu a sua voz cultural – e adverte que se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, arriscamos um desentendimento crítico.

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Desde muito cedo percebi que a trajetória de uma vida continha bem mais do que os conflitos visíveis. Em parte, me transformei numa contadora de histórias ao intuir que a forma como é contada uma vida pode significar a possibilidade desta vida. Assim como pode determinar sua morte. O mundo é um palco onde se digladiam as versões – e o poder é usado para impor a história única como se fosse toda a verdade. Não só entre os países, mas na vida social e também dentro de casa. Compreender o poder da narrativa é o primeiro passo para construir uma vida que vale a pena. É também a chave para alcançar a complexidade – ou as várias versões – da vida do outro.

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Sinta o vídeo. Reinvente-se! São apenas 18min 49seg que nos convidam a repensar as nossas histórias contadas, apreendidas, multiplicadas e vividas. As histórias que ouvimos e contamos nos dão poder, e fazem o outro empoderado? Que histórias contamos sobre nós mesmos? O que os outros sabem de nós? O que permitimos que os outros saibam? Como contamos? Para que contamos? Para quem contamos? O que contamos ao longo da nossa trajetória? Estou com muitos questionamentos…Assista, e compartilhe comigo sua história! Clique aqui.


Ler esta matéria e escutar a entrevista de Chimamanda foi como sair de um quarto escuro e receber um banho de luz que nos deixa inicialmente cegas e atordoadas. Aos poucos vamos nos acostumando àquela nova situação, voltamos a enxergar, encantadas com a imensidão da realidade. Nada é mais a mesma coisa, nada nunca mais será a mesma coisa.”